de Osaka a Tokyo, dia 7
Deixámos as maletas guardadas na estação e partimos à descoberta de Osaka, apenas a 30 minutos de comboio de Kyoto. Osaka é uma cidade extravagante de arquitectura pós-moderna e grandiosos centros comerciais. Foi num deles que nos rendemos à tecnologia japonesa, sérios anos à nossa frente. Os telemóveis com tv, bem como os portáteis vaio, fizeram as minhas delícias e aqui nos deixámos ficar quase toda uma manhã a absorver, arrebatados, as últimas novidades tecnológicas.
Almoçámos num restaurante típico onde cada umas das mesas possui uma chapa quente com uma sorridente menina a preparar um estranho grelhado com couves e camarões (vide foto), untadíssimo com um molho de caramelo que não liga nada bem com a parte salgada. Uma vez que em todos os restaurantes existem fotografias das refeições (graças a deus pois, caso contrário, tínhamos comido era raspas), um gajo só tem que apontar para aquilo que deseja comer e às vezes lá é enganado, como foi neste caso. Nem tudo são rosas, como diria a minha avó.
Subimos ao escandaloso e futurista observatório do jardim suspenso, erguido a 150 metros do chão, e no 39º andar perdemo-nos numa vista soberba sobre Osaka, bebericando um café e deleitando-nos com a maravilhosa arquitectura, uma das minhas inúmeras paixões. Welcome to the sky.
Depois de um passeio descontraído pelo centro de Osaka, rumámos a Kyoto para lhe dizer adeus, apanhar as maletas e partir à descoberta da essência desta viagem – Tokyo.
Uma embalagem de sushi, 1 garrafinha de chá verde e 3 horas depois, numa elegantíssima viagem num dos comboios-bala japoneses, chegávamos a Tokyo para a consumirmos com especial apetite. Apanhámos o metro e em 45 minutos estávamos no nosso Hostel – New Koyo.
Comparativamente ao hotel em Kyoto, este hostel deixa muito a desejar. É muito central e
efectivamente barato (€18) mas é demasiado ao estilo japonês (ryokan) para o meu gosto. Os quartos são mínimos e possuem um colchão que há noite é desdobrado ao longo da esteira para que o espaço passe a ser efectivamente para dormir e pela manhã há que voltar a dobrar a cama para se usufruir, neste caso, de uma sala de estar. Em qualquer que seja o caso, os usufrutuários têm de deixar sempre os sapatos à porta. Os japoneses são muito asseados, demasiado até. Soalho que seja revestido a esteira pede sempre um peúgo lavadinho e chanato à porta da rua (templos, restaurantes, quartos, etc). Infelizmente, que nunca me hei-de habituar à coisa, as casas de banho também o são ao estilo japonês, ou seja, tudo ao molho e fé em deus. Existem uma série de duches onde as pessoas (homens para um lado, mulheres para outro, claro) estão sentadas nuns banquinhos a efectuarem a sua higiene. Depois de cabelos lavados, corpos bem ensaboados e tudo muito bem enxaguado na zona dos duches, existe um banho de emersão colectivo, um género de um tanque com chafariz de água abundante e a escaldar, onde todo o mundo descomprime, sem pudores, numa nudez descomprometida. É estranho, no mínimo.
Existem milhares de corvos na cidade. Foi a acordar em sobressalto com os gritos sonantes destes bichos que passei a minha primeira noite em Tokyo.

2 comentários:
Pois Florença, hà quem diga que Tokyo é das cidades em todo o mundo onde a vida é mais cara, e logo um hotel barato nessa cidade de bem mais de 20 milhões de habitantes não poderia ser o topo do luxo, mas certamente que isso não a impediu assim como os seus sortudos companheiros de viagem de disfrutarem dessa cidade e cultura fascinantes... A àgua desse rio em Nikko tem uma côr explendorosa...
As fotos dos pratos por vezes enganam. Em Enoshima pedi aquilo que me pareciam ser as deliciosas massas japonesas. Mal quando provei achei algo estranho. Olhei melhor e a afinal eram peixes minúsculos, milhares e milhares deles.
A ideia de que o Japão é caro é um mito. A habitação será dispendiosas, por evidente falta de espaço. Basta pensar que a zona metropolitana de Tôkyô tem mais de 30 milhões de pessoas. Mas mesmo a hotelaria tem preços ao nivel dos nossos e o mesmo se pode dizer para a comida. Agora o vestuário é substancialmente mais barato que o nosso, bem como os produtos de tecnologia "made in Japan", o que se compreende. Os transportes lá podem ser caros mas existem taxis de prexo fixo. Uma coisa porreira nos comboios é que não precisamos de saber quanto custa o bilhete, à saída vamos às máquinas depositar o que está em falta.
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