a viagem começa assim
As 2 horas e meia até Londres mais as 12 horas até Tokyo fizeram com que chegássemos ao Japão (aeroporto de Narita) dia 5/10, um dia depois, por volta do meio-dia e completamente escangalhados do sono.
Assim que recolhemos as maletas, deparámo-nos logo com a grande dificuldade desta viagem, a comunicação com o povo japonês. O inglês, quando falado (casos invulgares e de tão excepcionais almeja dizer parabéns e beijá-los com especial gratidão), é quase imperceptível, gerando um cansaço invulgar na demanda com o entendimento. London, por exemplo, diz-se Rondóm em japonês-inglês. Um deslumbramento, portanto. Assim, nesta viagem tivemos logo que contar com 10% de tempo efectivo em lost in translation.
Por entre as dificuldades da compreensão-tradução e ainda no aeroporto de Narita, trocámos, no Exchange Office, o nosso “pré-passe” pelo efectivo JRPass e ainda reservámos os bilhetes de comboio para a nossa viagem para Kyoto (Narita -> Tokyo e Tokyo - > Kyoto) que nos consumiria quase toda a tarde
de dia 5 nos fabulosos comboios-bala japoneses, com velocidades na ordem dos 350km/h. Normalmente para viagens com uma duração superior a 1 hora é necessário efectuar uma reserva prévia no comboio.
O objectivo inicial da viagem era visitar, por esta ordem, Kyoto, Osaka, Hirochima, Nikko e Tokyo mas dado que não efectuámos nenhuma reserva com a devida antecedência para Hirochima e pelo facto de na data apontada para a visita todos os hotéis estarem com uma ocupação de 100%, tivemos que abdicar dessa cidade, com muita pena nossa.
Por entre a espera do “Narita-Express”, que nos levaria a Tokyo em aproximadamente 1 hora, ainda comprámos umas embalagens de sushi e umas garrafinhas de chá verde gelado que fariam as nossas delícias no trajecto até à capital japonesa.
Eram aproximadamente 5 da tarde quando chegámos a Kyoto, antiga capital do Japão nos finais do século VIII, que ainda mantém muitas das tradições históricas japonesas e inúmeros templos encantados.
As aprendizas de gueixas são um marco de Kyoto e podem ser contratadas para entreter clientes abastados com danças e cantares tradicionais. Esta profissão, que data do século XVII, está em rápido declínio pois a verdadeira natureza deste ofício está a ser substituída e confundida por verdadeiras profissionais do sexo, devidamente trajadas de gueixas. Encontrámos algumas destas moças com a carinha toda pintada de branco e as beiçolas de vermelho sangue. Um mimo.
A estação ferroviária de Kyoto é um colosso arquitectónico e tivemos sérias dificuldades em abandonar o olhar desta imponente construção. No posto de turismo da estação (quase todas as estações japonesas são grandes centros comerciais, estilo el-corte inglês) elucidámo-nos quanto à localização da nossa estadia - o Hotel Sancrane (qualquer que seja o hotel escolhido é necessário efectuar reserva com bastante antecedência, uma vez que Kyoto é um destino muito procurado pelos japoneses para realizarem as suas orações) e ficámos a saber que o mesmo ficava a 20 minutos a pé da estação.

O hotel revelou-se uma óptima escolha pois o quarto, para além dos apetrechos já mais que esperados (tv, dvd, rádio, frigorífico, ar condicionado) ainda tinha uma fabulosa sanita electrónica com variadíssimos botões, que passam pela simulação do som da descarga do autoclismo, pressão da água para levar o traseiro e temperatura da mesma. A tampa da sanita também cai com uma suavidade aflitiva. O hotel ainda oferece escova e pasta de dentes, lâminas de barbear, champô, amaciador, gel de duche, pijama japonês e chinelos. Pagámos por um quarto triplo, 15000Y/noite (cerca de €100, o que deu uma média de €33.5 /pessoa). O pequeno almoço é pago à parte e um pouco carote, convenhamos (1050Y).
Por detrás da central e longa avenida Kawaramachi, numa das ruelas de um bairro animadíssimo repleto de bares, restaurantes e discotecas, escolhemos um restaurante típico para jantar. O facto de nenhum nativo articular uma única palavra em inglês não nos impediu de nos
desenrascarmos, ou não fossemos nós uns portugueses profissionais. Depois de termos que nos descalçar para nos acomodarmos numa das almofadas que servem de apoio à mesa rasa de refeição, tivemos o primeiro e verdadeiro contacto com a realidade japonesa, jantando felizes e curiosamente observados por muitos olhares em bico. Arroz, uma travessa com diversas iguarias de sushi, sachimi e outros (ainda hoje me debruço a pensar que raio é que era aquilo que enfardámos com brutal estupefacção) e chá verde, tudo isto por uns fantásticos €7. O chá verde é sempre oferta da casa e a gorjeta não é aceite pelos japoneses. Esquisito é o facto de depois de deixarmos cerca de €1 de gorjeta em cima da mesa e fazermo-nos à estrada, termos à perna o empregado, esbaforido e eufórico, a vir ao nosso encontro e entregar-nos aquilo que pensou termos esquecido – o tal euro da gorjeta. Olha que fixe!
O japonês inicia o dia com uma malga de sopa e vegetais, acompanhada de um bom naco de arroz e muito chá verde. Epá que aquilo até pode ser muito bom mas o que eu queria mesmo era uma torrada, uma sandoca de queijo ou mesmo um pão sem nada, pronto, mas um pãozinho, por amor de deus, e um café. O café é bebido gelado com leite (com cubos de gelo e tudo e até é bastante agradável) mas como refresco e não particularmente ao pequeno-almoço. Resumindo e baralhando, não há pastelarias no Japão. Existem os americanos starbucks, onde se paga excessivamente bem por um café daqueles gigantes e um bolinho enfezado e muito americanizado.
Assim que recolhemos as maletas, deparámo-nos logo com a grande dificuldade desta viagem, a comunicação com o povo japonês. O inglês, quando falado (casos invulgares e de tão excepcionais almeja dizer parabéns e beijá-los com especial gratidão), é quase imperceptível, gerando um cansaço invulgar na demanda com o entendimento. London, por exemplo, diz-se Rondóm em japonês-inglês. Um deslumbramento, portanto. Assim, nesta viagem tivemos logo que contar com 10% de tempo efectivo em lost in translation.
Por entre as dificuldades da compreensão-tradução e ainda no aeroporto de Narita, trocámos, no Exchange Office, o nosso “pré-passe” pelo efectivo JRPass e ainda reservámos os bilhetes de comboio para a nossa viagem para Kyoto (Narita -> Tokyo e Tokyo - > Kyoto) que nos consumiria quase toda a tarde
de dia 5 nos fabulosos comboios-bala japoneses, com velocidades na ordem dos 350km/h. Normalmente para viagens com uma duração superior a 1 hora é necessário efectuar uma reserva prévia no comboio.O objectivo inicial da viagem era visitar, por esta ordem, Kyoto, Osaka, Hirochima, Nikko e Tokyo mas dado que não efectuámos nenhuma reserva com a devida antecedência para Hirochima e pelo facto de na data apontada para a visita todos os hotéis estarem com uma ocupação de 100%, tivemos que abdicar dessa cidade, com muita pena nossa.
Por entre a espera do “Narita-Express”, que nos levaria a Tokyo em aproximadamente 1 hora, ainda comprámos umas embalagens de sushi e umas garrafinhas de chá verde gelado que fariam as nossas delícias no trajecto até à capital japonesa.
Eram aproximadamente 5 da tarde quando chegámos a Kyoto, antiga capital do Japão nos finais do século VIII, que ainda mantém muitas das tradições históricas japonesas e inúmeros templos encantados.
As aprendizas de gueixas são um marco de Kyoto e podem ser contratadas para entreter clientes abastados com danças e cantares tradicionais. Esta profissão, que data do século XVII, está em rápido declínio pois a verdadeira natureza deste ofício está a ser substituída e confundida por verdadeiras profissionais do sexo, devidamente trajadas de gueixas. Encontrámos algumas destas moças com a carinha toda pintada de branco e as beiçolas de vermelho sangue. Um mimo.
A estação ferroviária de Kyoto é um colosso arquitectónico e tivemos sérias dificuldades em abandonar o olhar desta imponente construção. No posto de turismo da estação (quase todas as estações japonesas são grandes centros comerciais, estilo el-corte inglês) elucidámo-nos quanto à localização da nossa estadia - o Hotel Sancrane (qualquer que seja o hotel escolhido é necessário efectuar reserva com bastante antecedência, uma vez que Kyoto é um destino muito procurado pelos japoneses para realizarem as suas orações) e ficámos a saber que o mesmo ficava a 20 minutos a pé da estação.
O hotel revelou-se uma óptima escolha pois o quarto, para além dos apetrechos já mais que esperados (tv, dvd, rádio, frigorífico, ar condicionado) ainda tinha uma fabulosa sanita electrónica com variadíssimos botões, que passam pela simulação do som da descarga do autoclismo, pressão da água para levar o traseiro e temperatura da mesma. A tampa da sanita também cai com uma suavidade aflitiva. O hotel ainda oferece escova e pasta de dentes, lâminas de barbear, champô, amaciador, gel de duche, pijama japonês e chinelos. Pagámos por um quarto triplo, 15000Y/noite (cerca de €100, o que deu uma média de €33.5 /pessoa). O pequeno almoço é pago à parte e um pouco carote, convenhamos (1050Y).
Por detrás da central e longa avenida Kawaramachi, numa das ruelas de um bairro animadíssimo repleto de bares, restaurantes e discotecas, escolhemos um restaurante típico para jantar. O facto de nenhum nativo articular uma única palavra em inglês não nos impediu de nos
desenrascarmos, ou não fossemos nós uns portugueses profissionais. Depois de termos que nos descalçar para nos acomodarmos numa das almofadas que servem de apoio à mesa rasa de refeição, tivemos o primeiro e verdadeiro contacto com a realidade japonesa, jantando felizes e curiosamente observados por muitos olhares em bico. Arroz, uma travessa com diversas iguarias de sushi, sachimi e outros (ainda hoje me debruço a pensar que raio é que era aquilo que enfardámos com brutal estupefacção) e chá verde, tudo isto por uns fantásticos €7. O chá verde é sempre oferta da casa e a gorjeta não é aceite pelos japoneses. Esquisito é o facto de depois de deixarmos cerca de €1 de gorjeta em cima da mesa e fazermo-nos à estrada, termos à perna o empregado, esbaforido e eufórico, a vir ao nosso encontro e entregar-nos aquilo que pensou termos esquecido – o tal euro da gorjeta. Olha que fixe!
O japonês inicia o dia com uma malga de sopa e vegetais, acompanhada de um bom naco de arroz e muito chá verde. Epá que aquilo até pode ser muito bom mas o que eu queria mesmo era uma torrada, uma sandoca de queijo ou mesmo um pão sem nada, pronto, mas um pãozinho, por amor de deus, e um café. O café é bebido gelado com leite (com cubos de gelo e tudo e até é bastante agradável) mas como refresco e não particularmente ao pequeno-almoço. Resumindo e baralhando, não há pastelarias no Japão. Existem os americanos starbucks, onde se paga excessivamente bem por um café daqueles gigantes e um bolinho enfezado e muito americanizado.
2 comentários:
Bem Florença!!!!
Comboios a mais de 350kms, sushy à descrição que até os olhos estão regalados, WC com tais comodidades, é de facto mt à frente, muita tecnologia sem que isso afonte a aparente e fascinante simplicidade no olhar desse povo, que inveja que isso dá aos europeus, qto mais a outros povos deste pequeno mundo...
Algumas notas:
Consta que as primeiras gueixas eram homens...
O pequeno-almoço no Japão pode ser muito variado. Cheguei a comer alguns com cerca de 9 pratos diferentes. E também cheguei a comer torradas. O pão foi introduzido pelos portugueses no Japão e não é á toa que lá lhe chamam "pan". Mas de facto não é das coisas mais fáceis de encontrar. O arroz é omnipresente em todas as refeições e ao fim de pouco tempo fiquei com a sensação de não poder passar sem ele. E por mais que comesse nunca me senti cheio. Já o chá verde depende um pouco de restaurante e, imagino, da zona onde estamos. Só fui a um local onde serviam chá verde de graça.
Talvez não exista pastelarias no Japão mas há uma excelente confeitaria, mais uma vez com uma mão dos portugueses, sendo o icon mais evidente o pão de ló "Castela" com chá verde. Na realidade a palavra certa para a confeitaria japonesa é "variada". é sempre uma surpresa aquilo que vamos obter, há coisas excelentes para o nosso paladar mas outras quase intragáveis, como os biscoitos de peixe.
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